sábado, 30 de maio de 2009

Moçambique

Teresa Nunes e José Nunes são um casal de idosos que vivem no mesmo prédio que eu.Teresa chega a Moçambique com José e as suas duas filhas em 1956, com 19 anos, tendo sido o seu principal objectivo libertar-se de uma vida do campo.Como não conhecia ninguém para além do seu marido, o início foi um pouco doloroso e chorava todos os dias. Passados apenas quatro dias desde a chegada o seu marido consegue um emprego na construção civil e a partir daqui tudo começou a ser mais fácil.Fez amizade com outros portugueses que viviam na mesma zona e, como não havia televisão, os seus tempos livres eram ocupados com cinema, jazz, danças e praia. O mais importante era viver o próprio dia, não pensando no próximo.As filhas frequentavam a escola, o marido trabalhava na construção civil como empregado e Teresa convivia com amigas e amigos, pois como tinha empregados não se preocupava, muito com as tarefas de casa.




















José, Teresa, as filhas e um casal amigo.


Em 1968, voltou a Portugal para comparar a sua vida actual com a portuguesa. Rapidamente verificou que não era em Portugal que queria estar e que se sentia bem voltando a Moçambique. Por essa altura, o seu marido tinha conseguido já um emprego na polícia.Perto dos seus 40 anos, Teresa abriu o seu próprio negócio e tornou-se gerente de uma loja onde vendia de tudo um pouco, desde roupa a alimentação. Tinha também alguns empregados.“- Para mim, a maior riqueza não era o dinheiro, nem os meus bens pessoais, mas sim a minha família e os meus amigos.”Em Moçambique, havia um avanço em relação a Portugal, no que dizia respeito a produtos alimentares, pois grande parte das frutas eram já parafinadas e embaladas.Como se praticava o Apartheid, uma vez, num supermercado de raça negra, foi advertida de que ali não era bem-vinda.“- Eu sabia que existia o Apartheid e sabia o que era e não concordava porque participava em movimentos e campanhas de solidariedade para favorecer os mais necessitados, só que ali não era de facto bem-vinda.”Mais tarde Teresa queria matricular as filhas para que estas pudessem concluir os estudos, mas era preciso que já tivessem alguma vez na vida ter feito trabalhos cívicos coisa que estas nunca tinham feito.Portanto, para que as suas filhas pudessem concluir os estudos, em Outubro de 1976, Teresa e José regressaram definitivamente a Portugal.


















José e Teresa com um casal amigo.


Hoje em dia já praticamente com as filhas adultas, Teresa e José não levam o mesmo modo de vida que tinham em África. José tem muita dificuldade em esquecer o passado, pois foi em Moçambique que viveu os anos mais felizes da sua vida.“- Eu já não penso nisso pois vivo o presente e não o passado, mas as minhas filhas andam num psicólogo e o meu marido num psiquiatra, pois têm muita dificuldade em esquecer tudo o que se passou”.


Ivan Dias

Guerra do ultrumar

No dia 27 de Abril de 1970 o meu avô, João Amaro Cajado recrutou-se no batalhão de caçadores número 6, e dois meses depois fez exames de medicina geral no R.S.S em Coimbra. A 1 de Maio de 1971 integrou o R.I.1 (regimento de infantaria 1) para proceder ao embarque no dia 18 de Abril de 1971 no barco (Niassa) hás 14:00h.

























João Amaro Cajado


















João e um amigo.



Ao fim de 30 dias, nos fins de Maio chega a Nacala onde embarcou de comboio até Nova Freixo, transitando de carro até Marrupa permanecendo aí durante 16 meses. Daqui foi para Guro onde ficou 12 meses.















Guro
Aqui fazia patrulhas para transporte de alimentos e combustíveis vindos de Vila Peri para Tite com uma distância a























João Amaro Cajado
Chegou a Portugal no dia 3 de Agosto de 1973 hás 2:00h ao aeroporto da Portela em direcção ao R.1 para fazer o espólio.


















Declaração em conforme prestou serviço em Moçambique.


Ivan Dias